domingo, 8 de julho de 2012

PRESENÇA DAS TECNOLOGIAS NA ESCOLA


O impacto das mudanças tecnológicas se evidencia na educação, quando os alunos trazem para a escola questões de um mundo conectado e inter-relacionado e os professores se sentem desafiados a imergirem nessa cultura dentro da escola.
Almeida, 2009 descreveu em seu livro, na sua primeira edição 1984 sobre as barbáries que ameaçavam o mundo: Tsunamis, perseguições entre etnias, violências dos fundamentalismos religiosos, massacres de minorias, desnutrições endêmicas. Mediante este histórico, não se pode dizer que a tecnologia é isenta dessas responsabilidades, mas sim, que seu uso pode ajudar a resolvê-las.
No Brasil, o cenário da escola era de salas cheias, acesso a computadores nem sempre fácil, poças condições de biblioteca, professores não concursados e com salários baixíssimos, a maior parte dos alunos com renda até dois salários mínimos, formação insuficiente dos professores.
Vinte anos passados (1984-2005), as políticas públicas para o ensino básico (1ª a8ª séries) foram eficazes em relação às matrículas, com um aumento de 68,5% em quinze anos. Quanto ao ensino médio, constatou-se um aumento de 139,2%. Nos cursos superiores, o salto foi de 184,2% em 18 anos.
Paralelo a esses dados, temos a fome e o fenômeno da seca, inundações, desmatamento, invasões de terra e uma população jovem de classes pobres, com menos de 25 anos, que substitui livros de estudo e diplomas por armamento.
No início do século XXI, a nossa educação cresce de uma forma caótica e desordenada. A Lei de Diretrizes de Bases da Educação Nacional [nº9394/96], discutida no congresso, mas sujeita a todo o tipo de manipulação e interesses corporativos. A Lei [n5692/71] representou um progresso para a educação, foi criado o FUNDEF (Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental), orçamentos participativos, sistemas de avaliação e além da melhoria dos programas de merenda escolar e transporte, distribuição de livros didáticos a nível nacional.  A Lei [nº 7044/82] vem redimensionar a profissionalização em sua universalidade. Na crise dos anos 80, inicia-se o debate do computador na educação.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                           
A inserção na sociedade de informação, segundo ALMEIDA, 2005 não é só ter acesso à tecnologia, mas saber utilizá-la na busca e seleção de informações para a resolução de problemas do cotidiano. O uso da TIC’s na educação visa a criação de uma rede de conhecimentos, favorecendo a democratização do acesso à informação, a troca de informações e experiências e o desenvolvimento humano, social, cultural e  educacional. “Ninguém educa ninguém, como tampouco ninguém se educa a si mesmo: os homens se educam em comunhão, mediatizados pelo mundo.” (Freire, 1993, p.9)
Segundo PERROTTI, 2008, nas últimas décadas foram se associando iniciativas com o foco na relação entre Educação e Informação.
A partir dos anos 70, houve uma mobilização crescente em vista a apropriação de saberes informacionais (PERROTTI, PIERUCCINI, 2008) relacionados ao processo de conhecer o conhecimento.
O termo infoeducação proposto em 2000 (ESTEVE, 2005, p.491), intitulando um seminário franco-brasileiro, realizado na Escola de Comunicação e Artes, da Universidade de São Paulo, assinalava um novo olhar para as relações entre Educação e Informação. Na “era da informação”, essa relação rompe com a educação tradicional disciplinar, articulando diferentes saberes e fazeres em redes dinâmicas de conhecimento e de atuação.
Na escola, as relações face a face, ainda prioritárias nos modos de comunicação pedagógica. Prevaleceu o discurso pedagógico centrado na voz e na autoridade única do mestre. Neste modelo, os mestres transmitiam conteúdos consagrados anos e anos e os discípulos, ouvir, memorizar e responder quando interpelados. Lentamente vemos o aparecimento nas salas de aula de materiais impressos de diferentes níveis, como cartilhas, livros didáticos, paradidáticos, jornais. Materiais estes distribuídos pelo Estado, evidenciando que a vos do professor já não é mais exclusiva como fonte de informação. Paralelo a isso, vemos a chegada de TV, e computadores ligados a Internet como recursos didáticos disponíveis na escola, reforçando a idéia de que a voz do professor já não é mais a única forma de comunicação.
Não basta só ter acesso a informação, mas temos de saber avaliá-las, julgá-las, selecioná-las em relação a nossa realidade social. Por isso temos a urgência da adoção do termo infoeducação na pauta educacional do país. A infoeducação pode ser concebida como um conjunto articulado de saberes e fazeres, direcionado nas relações entre Informação e Educação. Esta seria um modo de atuar e de interrogar a informação, de compreendê-la e de participar de seus processos.
Das instituições educativas que devem se ocupar da infoeducação, a escola é um pilar fundamental, indispensável e diferenciado, pois ela em nosso mundo continua sendo o ponto de chegada e o ponto de partida da trama sociocultural onde se dá a apropriação de saberes de forma sistemática.
Nos programas de infoeducação para crianças da Educação Infantil e das primeiras séries do Ensino Fundamental, só poderá fazer sentido se a experiência for concreta, pois é pela vivência efetiva que as aprendizagens vão se construindo.
A integração das TIC’s na educação proporciona ao aluno estabelecer múltiplas conexões, tornando-se mais participativo, comunicativo e criativo. Nas últimas décadas, houve uma aceleração no processo de desenvolvimento das tecnologias e a escola não pode ficar alheia a esse fato.
Para POCHO, 2005 a tecnologia é apresentada não como objeto de consumo, mas sim como uma possibilidade educativa. Com o crescimento educacional mais crítico a partir dos anos 80, a tecnologia educacional constitui-se em um
‘estudo teórico-prático da utilização das tecnologias, objetivando o conhecimento, a análise e a utilização crítica destas tecnologias, ela serve de instrumento aos profissionais e pesquisadores para realizar um trabalho pedagógico de construção do conhecimento e de interpretação e aplicação das tecnologias presentes na sociedade’ (SAMPAIO&LEITE, 1999,p.25)
            Tecnologias educacionais são os meios, os apoios, as ferramentas que utilizamos para uma efetiva aprendizagem, visando a uma renovação da educação mediante o desenvolvimento integral do aluno, que está inserido num processo de transformação social. Em todas as áreas do conhecimento, podemos integrar as mais variadas mídias.
            A proposta de utilização das tecnologias na escola se faz necessária, pois estas são frutos da produção humana, por parte da sociedade como a escrita e devem ser democratizadas e desmistificadas. Os alunos devem ser educados para o domínio, manuseio, criação e interpretação de novas linguagens e formas de expressão e comunicação. A escola deve fazer o aluno aprender a aprender, a criar, a inventar soluções próprias diante dos desafios.
            A presença das tecnologias no cotidiano escolar se faz necessárias, pois são formas de produção e apropriação do conhecimento, permite ao aluno familiarizar-se com elas, desmistificando-as, além de dinamizar o trabalho pedagógico.
            A educação tem a ver com a tecnologia, justamente porque esse avanço tecnológico não chegou à grande maioria das pessoas por não ter acesso ou conhecimento sobre ele. Assim sendo, cabe a escola propiciar condições de agir com e sobre as tecnologias a serviço de um projeto pedagógico, visando à autonomia dos educandos e sua inclusão na sociedade.
            Com base em um trabalho sobre TE, desenvolvido por Thiagarajan e Pasigna (1988), podemos agrupar as tecnologias em dois grupos:
             Tecnologias independentes são as que não dependem de recursos elétricos ou eletrônicos para serem usadas. Um exemplo aqui seria o livro infantil, pois é um material impresso, composto de histórias, geralmente ilustradas. O professor pode produzir esse tipo de livro, escolhendo com eles vários temas a serem trabalhados, redigindo histórias e montando um livro no coletivo. Sua utilização traz ao aluno o desenvolvimento e gosto pela leitura, raciocínio lógico da linguagem escrita e enriquecimento nas diversas áreas do currículo. A partir de um tema estudado no livro, podemos realizar uma discussão de um filme, programa de rádio ou TV. Analisar e interpretar ilustrações e personagens e uma recriação de uma nova história a partir de novos conhecimentos.
            Tecnologias dependentes são aquelas que dependem de um ou vários recursos elétricos ou eletrônicos para serem produzidas ou utilizadas. Aqui me refiro ao computador, pois dependendo do programa, ele pode ser usado como orientador na correção e análise de trabalhos dos alunos armazenando e processando informações, pois é um meio de comunicação, através da utilização da Internet. Com o advento da Internet, muitas escolas de ensino fundamental já estão conectadas a outras no país e no mundo.
            Apesar de todos os avanços tecnológicos, a sala de aula, ainda hoje, é um espaço de combinação de atividades entre professor e aluno, caracterizando assim o processo ensino-aprendizagem. Segundo Moran[1] a escola precisa partir da vivência do aluno, preocupações, necessidades, curiosidades e construir um currículo que faça sentido em sua vida, despertando interesse. Precisa-se de gestores e educadores bem remunerados e formados em conhecimentos teóricos e práticos nas novas tecnologias, suas formas e uso.
            A escola, não se encontra em sintonia com a emergência da interatividade. Mantém fechada em si mesma e alheia a nova dimensão comunicacional. Ao longo dos anos, ela vai deixando de ser reprodutora de conteúdos, onde só o professor “recita” e o aluno “entende” e passa a ter um modelo de comunicação emergente, constante, focada na interatividade, ou seja, no diálogo. Segundo SILVA, 2010 a interatividade não é apenas fruto da tecnologia informática, mas um processo de resignificação das comunicações humanas em toda a sua amplitude. Na nossa estrutura educacional, não temos uma sala de aula interativa na sua totalidade, mas o aluno que a freqüenta pede uma nova aprendizagem. A antiga aprendizagem tradicional deixa de ser focada no professor e passa a ser focada no aluno. Aqui temos um conceito de interatividade como uma reinvenção da sala de aula em uma prática comunicacional entre os três eixos enlaçados: Aluno Currículo Professor

Figura 2:A relação em mão dupla: professor, aluno e currículo
A sala de aula passa a ser redefinida como um espaço para informações, debates, organização de projetos, pesquisa, de comunicação online e intercomunicação. O espírito crítico que domina a sociedade de informação, também precisa estar presente na sala de aula. Aqui o autor faz uma relação de produtor/consumidor/produto, que paralelo, na escola, podemos identificar como professor/conteúdo/aluno. O consumidor não é mais tão manipulável. Desse modo, se faz uma comunicação aberta entre cliente, produto e produtor, permitindo ao cliente – consumidor – usuário atuar como coautor, como cocriador personalizado na relação com o produto.
Nessa relação comunicacional que se estabelece na sala de aula, podemos definir interatividade como uma disponibilização consciente de um “mais comunicacional”  de modo expressamente complexo, ao mesmo tempo atentando para as “interações” existentes e promovendo mais e melhores “interações” – seja entre usuário e tecnologias digitais ou analógicas, seja nas relações “presenciais” ou “virtuais” entre seres humanos.



[1] MORAN, José Manuel – Aprendizagem significativa, 2008