quinta-feira, 23 de julho de 2009

LETRAMENTO X RÁDIO, UMA QUESTÃO POSSÍVEL!


Letramento é um conjunto de atividades de linguagem – práticas sociais letradas – envolvendo o uso de um conjunto de gêneros de textos orais e escritos,que ocorrem com o atividades significativas de linguagem, isto é, de interesse real dos alunos.
O letramento, segundo os pressupostos de Street (1984) no que concerne o letramento ideológico, trata-se de instaurar na escola, um espaço para a prática de atividades de linguagens e ambientes discursivos diversos, não somente escolares, mas que de fato ocorre cotidianamente no tecido social, como por exemplo, a audição e a produção de um programa de rádio.
A mídia, mais do que a família, a escola, a igreja, exerce hoje uma grande pressão no agir em sociedade da maioria das crianças, adolescentes e jovens.Esse tipo de mídia, o rádio está inserido como de uma maior acessibilidade por todos os lares, pois quem não tem pelo menos um radinho?Uma das grandes características desse tipo de mídia é a sua facilidade de deslocamento, pois com um pequeno rádio, ganhamos um facilidade de deslocamento entre espaços escolares, diferente do computador que está em um espaço físico fixo.
A escola deve dar aos estudantes a oportunidade de fazer uma leitura crítica da mídia e possa compreender o seu discurso de forma sistematizada. Por isso, o caminho é o engajamento na atividade de linguagem significativa de natureza midiática (por exemplo a produção de gêneros, quadros e programas radiofônicos) para refletir sobre e entender os mecanismos desse discurso a partir dos seus bastidores.
A escola tem de provocar nos alunos, o letramento através de textos midiáticos, para estimular atividades de leitura e/ou produção de texto, textos estes que se aproximam de gêneros textuais como: notícias, artigos, reportagens, crônicas, entrevistas, visto que ampliam a visão de mundo dos estudantes, acostumados na escola a associar o ato de ler apenas à leitura de textos do ambiente discursivo literário.
Na escola, o rádio por ser uma mídia de mais fácil acesso e conhecimento de todos os segmentos sociais, facilita, inclusive a participação de pais, funcionários e os demais segmentos da comunidade escolar.
A implantação de uma mídia radiofônica no ambiente escolar funciona como contraponto ao discurso escolar tradicional, alicerçado em transmissão de conteúdos assépticos e em relações assimétricas de poder, onde a maior parte do tempo destinado á aprendizagem se centraliza na voz do professor que fala e o aluno que ouve passivamente, senão é chamado de indisciplina.
Um letramento radiofônico, se efetiva pela construção de uma mídia própria e adequada à comunidade escolar. Uma mídia que se configure como decorrência de atividades significativas de linguagem, em que os sujeitos envolvidos em sua construção (pais, professores, alunos, funcionários e comunidade escolar) posam agir como atores capazes e responsáveis, discutindo como e, sobretudo o que querem comunicar.
Para a implementação de um programa de rádio escolar, temos de que primeiro traçar um perfil de nossa comunidade ouvinte e a partir daí, implementar na escola, atividades em que o uso da mídia radiofônica, possa interferir de maneira positiva no processo ensino-aprendizagem.
Uma proposta simples, mas que poderá ser o chute inicial, seria a de que, no intervalo, teríamos música e informes através de um canal muito simples, que tem na maioria das escolas, sem elevados custos de instalação e manutenção, que seria um rádio com CD e um microfone.
A programação musical e os informes, seriam discutidos e elaborados por uma equipe de alunos e um professor, podendo também ter a participação dos demais segmentos da comunidade escolar.
Esse espaço pode ser aberto ao conselho de escola e APM, pois estes são canais que ligam e potencializam a participação dos pais, nas atividades escolares de seus filhos.