segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

DO ENSINO FUNDAMENTAL PRESENCIAL AO EAD

O diálogo é uma relação não verticalizada, mas horizontal de um com o outro que se nutre de “amor, de humanidade, de esperança, de fé, de confiança”.
Paulo Freire
A escola, em épocas passadas, era tida como “detentora dos saberes”, hoje se encontra em partes e desarticulada, pois não consegue acompanhar a evolução tecnológica e muito menos o novo perfil de aluno que está se sentando nos bancos escolares. O nosso sistema educacional é fragmentado e vem de cima para baixo, muitas vezes assim, não indo de encontro à realidade do aluno e o que ele busca nela. Daí, muitas vezes a escola seja para ele, um lugar “de passagem”, sem significação própria.
Os ambientes de aprendizagens com o uso das TIC”s, faz-se necessário novas atitudes dos alunos e principalmente professores, onde se faça a transposição da passividade da educação bancária, ou ainda, do paradigma presencial para a interatividade indispensável para a EAD, onde o diálogo é produto das atitudes dos sujeitos que se encontram por detrás dos equipamentos,
Segundo Lucia José Carlos Batista – Revista Colabor@ - Julho/2006, em um trabalho de investigação no Curso de Organização do Trabalho Pedagógico, na Câmara dos Deputados, aponta-se a necessidade de mais pesquisa e aprofundamento das estruturas de poder entre professores e alunos, na educação à distância.
Adell (1977) destaca a importância da informação para a construção do conhecimento. Batista (2004) diz que, a transferência de informações se dá com o processo de transformação do conjunto de conhecimento construído, em outro, expresso por signos que permitam a um leitor sua decodificação.
Na busca de uma aprendizagem que se dê de forma colaborativa, é imprescindível questionar:
 As mensagens postadas nos recursos disponíveis nos ambientes virtuais de aprendizagem se interrelacionam?
Muturama (apud BATISTA,2004) entende que o sujeito coletivo se realiza por meio da realização de seus componentes, constituindo-se um deles aquele que guarda em si um agregado de organismos. O sujeito coletivo seria um aglomerado de pessoas que atuam individualmente, quanto ao conjunto de indivíduos que trabalham juntos para um fim comum.
Fiorentini (2004) distingue etimologicamente as palavras: cooperação e colaboração, onde co significa ação conjunta; operare, operar, executar, fazer funcionar; laborare, trabalho ou produzir em vista de um determinado fim.
Cooperação é quando, partes de um coletivo trabalham individualmente e depois tudo se junta como uma “colcha de retalhos”. Colaboração se dá pela interação entre sujeitos em que, aqui, analisada na forma escrita, buscando com a informação do outro, construir um conhecimento que, por sua vez, será transformado também em informação para ser disponibilizado para o outro.
Embora o respeito incondicional ao outro se constitua a base, é o processo dialógico que permite que um e outro se conheçam, ao mesmo tempo para que possam se respeitar.
Tori (2003) descreveu:
 Três tipos de distâncias: espacial, temporal, interativa
 Três relações possíveis: professor-aluno, aluno-aluno, aluno-material.
Não há como pensar em atividades colaborativas apoiadas nas novas tecnologias sem lançar mão de um “agente catalisador” e organizador (ou estruturador) dos diálogos que se apresentam nesse processo. Tanto o novo professor/tutor, quanto o novo aluno não se constituem, educacionalmente sujeitos dialógicos do dia para a noite, pois é evidente que, principalmente a nossa geração que sofre e usufrui desse momento de transição de formas de comunicação, teve uma formação escolar absolutamente diferente da que estamos vivenciando nos cursos mediados por novas tecnologias. Precisamos buscar alternativas para nos dar a ver o outro, “ler” o outro, conhecer o outro, para assim, respeitar o outro e sermos respeitados.