quinta-feira, 4 de agosto de 2016

PROJETO INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

A partir dos resultados das avaliações externas, verificamos que as nossas crianças apresentam dificuldades na interpretação de um texto, ou seja, não é só aprender a ler, decodificar as palavras, mas se apropriar dos significados delas.

Interpretar um texto é entender o que se está lendo.

O aluno quando entende o que está escrito, aquelas letras passam a ter significado e importância para ele. O texto deixa de ser um monte de palavras e passa a ser uma informação nova. Essa informação nova é a aprendizagem.

A Hermenêutica, a área da filosofia que estuda isso, diz que é preciso seguir três etapas para se obter uma leitura ou uma abordagem eficaz de um texto:

 a) Pré-compreensão: toda leitura supõe que o leitor entre no texto já com conhecimentos prévios sobre o assunto ou área específica. Isso significa dizer, por exemplo, que se você pegar um texto que possa ser relacionado com a realidade do aluno. Assim sendo, ele vai trazer seus conhecimentos sobre o assunto, ou seja, conhecimentos prévios que possam embasar a leitura.

Ações:

Viu uma palavra esquisita? Procure o significado dela, podendo usar o dicionário.

Aqui o aluno já vai aumentando seu repertório de palavras, seus significados e sinônimos.

Com a leitura de frases, o aluno descobre que através das frases, se expressam as ideias sobre o texto. Nessa fase, podemos trabalhar novas frases, mas sem perder o significado do texto.

Atividades:

Lista de palavras

Escrita ou reescrita de frases, a partir de gravuras ou exploração na oralidade.

 

b) Compreensão: já com a pré-compreensão ao entrar no texto, o leitor vai se deparar com informações novas ou reconhecer as que já sabia. Por meio da pré-compreensão o leitor “prende”  a informação nova com a dele e “agarra” (compreende) a intencionalidade do texto. É costume dizer: “Eu entendi, mas não compreendi”. Isso significa dizer que quem leu entendeu o significado das palavras, a explicação, mas não as justificativas ou o alcance social do texto. “O que o texto fala”

Ações:

Na roda de conversa, a partir do entendimento do texto, o aluno trazer suas experiências sobre o assunto. Trazer o texto para a sua realidade.

Atividades:

Registro na lousa das estórias dos alunos.

c) Interpretação: agora sim. A interpretação é a resposta que você dará ao texto, depois de compreendê-lo (sim, é preciso “conversar” com o texto para haver a interpretação de fato). É formada então o que se chama “fusão de horizontes”: o do texto e o do leitor. A interpretação supõe um novo texto. Significa abertura, o crescimento e a ampliação para novos sentidos.

Ações:

Explorar, através de atividades de pesquisa, como o aluno falaria essa estória se ele fosse o personagem.

Atividades:

Produção individual, pois aqui o aluno vai colocar suas ideias, fazer a sua estória a partir do entendimento da estória lida.

Essas produções alem de gráfica, pode também ser através de desenhos. Isso varia de acordo com a fase em que o aluno se encontra.

 

Leitura de textos diversos para alunos já alfabetizados

 

1) Leia com um dicionário por perto

Não existe mágica para atingir a primeira etapa, a da pré-compreensão. O único jeito é ter um bom nível de leitura. Além de ler bastante, você pode potencializar essa leitura se estiver com um dicionário por perto. Viu uma palavra esquisita, que você não conhece? Pegue um caderninho (vale a pena separar um só pra isso) e anote-a. Em seguida, vá ao dicionário e marque o significado ao lado da palavra. Com o tempo o seu vocabulário irá crescer e não vai ser mais preciso ficar recorrendo ao dicionário toda hora.

 

2) Faça paráfrases

Para chegar ao nível da compreensão, é recomendável fazer paráfrases, que é uma explicação ou uma nova apresentação do texto, seguindo as ideias do autor, mas sem copiar fielmente as palavras dele. Para isso é bom registrar essas paráfrases no caderno.

Ações:

Registras a paráfrase;

*Comece sublinhando as ideias principais, selecione as palavras-chave que identificar no texto e parta para o resumo. Atente-se ao fato de que resumir não é copiar partes, mas sim fazer uma indicação, com suas próprias palavras, das ideias básicas do que estava escrito.

*Além dos passos do resumo, também inclui a sua participação com um comentário sobre o texto. Você deve pensar sobre as qualidades e defeitos da produção, justificando o porquê.

*Depois de encontrar as ideias ou palavras básicas de um texto, você faz um esqueleto do texto em tópicos ou em pequenas frases.

 

3) Leia no papel

Um estudo feito em 2014 descobriu que leitores de pequenas histórias de mistério em um Kindle, um tipo de leitor digital, foram significantemente piores na hora de elencar a ordem dos eventos do que aqueles que leram a mesma história em papel. Os pesquisadores justificam que a falta de possibilidade de virar as páginas pra frente e pra trás ou controlar o texto fisicamente (fazendo notas e dobrando as páginas) limita a experiência sensorial e reduz a memória de longo prazo do texto e, portanto, a sua capacidade de interpretar o que aprendemos. Ou seja, sempre que possível, estude por livros de papel ou imprima as. Vale fazer notas em cadernos, pois já foi provado também que quem faz anotações à mão consegue lembrar melhor do que estuda.

 

4) Reserve um tempo do seu dia para ler devagar

Uma das maiores dificuldades de quem precisa ler muito é a falta de concentração. Quem tem dificuldades para interpretar textos e fica lendo e relendo sem entender nada pode estar sofrendo de um mal que vem crescendo na população da era digital. Antes da internet, o nosso cérebro lia de forma linear, aproveitando a vantagem de detalhes sensoriais (a própria distribuição do desenho da página) para lembrar de informações chave de um livro. Conforme nós aumentamos a nossa frequência de leitura em telas, os nossos hábitos de leitura se adaptaram aos textos resumidos e superficiais (afinal, muitas vezes você tem links em que poderá “ler mais” – a internet é isso) e essa leitura rasa fez com que a gente tivesse muito mais dificuldade de entender textos longos.

Os especialistas explicam que essa capacidade de ler longas sentenças (principalmente as sem links e distrações) é uma capacidade que você perde se você não a usar. Os defensores do “slow-reading” (em tradução literal, da leitura lenta) dizem que o recomendável é que você reserve de 30 a 45 minutos do seu dia longe de distrações tecnológicas para ler. Fazendo isso, o seu cérebro poderá recuperar a capacidade de fazer a leitura linear. Os benefícios da leitura lenta vão bem além. Ajuda a reduzir o estresse e a melhorar a sua concentração!

 

Bibliografia